
Cobertura Do Surf Foco com Entrevistas e Matérias diretamente do Campeonato
Marcos Sifu mandando mais um de seus aéreos. Foto: Fabio Minduim
Atualmente, o surfe tem um expressivo número de praticantes no Brasil, com aproximadamente 2,7 milhões de surfistas. A International Surf Association estima o impressionante número de 17 milhões de praticantes distribuídos por mais de 70 países e sua indústria move cerca de 2,5 milhões de dólares anuais. O Brasil, os Estados Unidos e a Austrália são as três maiores potências do surfe mundial. Embora seja um esporte de expressão, a literatura científica sobre essa modalidade é escassa, tendo apenas poucos autores e trabalhos nessa área. Vou citar alguns deles nesse post.
Acredita-se na crescente expansão do surf como um esporte com maior amparo científico, em que regras e condutas são previamente discutidas e padronizadas com o embasamento necessário, para a otimização do desempenho dos praticantes. No entanto, no cotidiano de grande parte dos atletas, especula-se que poucos surfistas utilizam-se de meios, métodos e técnicas, bem como não apresentam o treinamento desportivo bem definido.
Marcelo Trekinho encarando uma bomba no pontão do leblon. Foto: Fabio Minduim
Na imagem popular, o surfista aparece como um esportista de boa aparência física e de hábitos saudáveis de vida. Sabe-se que estes necessitam de um bom condicionamento físico para suportar os desafios do mar, visto que, em cada sessão de surf permanecem, em média, 3 horas dentro d'água. (LUZ et al, 2003). Entretanto quando observamos a região da coluna vertebral destes praticantes, notamos que um grande número apresenta desvios acentuados na região da coluna lombar e estes referem queixas de dores como de intensidade moderada e grave (LUZ et al, 2003).
Pensando na prática esportiva enquanto atividade física e a mesma sendo um dos fatores mais importantes para qualidade de vida, deve ser praticada buscando saúde e satisfação pessoal do praticante.
A falta de preparação adequada pode fazer com que um ou mais variáveis relacionados com o desempenho, como a produção de energia aeróbia e anaeróbia, força muscular, coordenação, economia de movimentos e fatores motivacionais, não sejam maximizados e consequentemente trazer prejuízo ao desempenho do surfista.
LUZ, et al 2003 investigando atletas de nível internacional menciona a importância de programas de treinamento físico específico e paralelo ao surf. Seu estudo apresenta dados como: os surfistas praticam o esporte praticamente os 7 dias da semana durante 3 horas diárias, sendo que a maioria destes realiza trabalho de alongamento com tempo inferior a 10 minutos diariamente e menos de 50% destes realiza um trabalho extra de fortalecimento muscular apenas 2 vezes na semana.
A força muscular é um requerimento básico para o surfe. O fortalecimento da musculatura para remada e manobras, além de melhorar a qualidade das manobras no surfe, é fundamental para prevenção de lesões.
A Flexibilidade se refere à amplitude de movimento de uma articulação. O desenvolvimento da flexibilidade permite aumentar a amplitude de movimento das articulações, melhorando o desempenho esportivo e diminuindo o risco de lesões musculares.
Em uma pesquisa feita no circuito mundial de surf, o Ombongo Pro Surfing WQS no ano 2002, traçou um perfil dos atletas participantes, em que apresentaram média de idade de 24 anos, massa corporal com média de 69 kg, estatura de 1,70 e com média de 11 pranchas para uso. Todos os atletas surfavam diariamente, a maioria destes faziam alongamentos regularmente, e menos da metade dos atletas realizavam outras práticas desportivas como complemento poucos dias na semana.
Não é a toa que Phil Rajzman é um dos melhores Longboarders do mundo. Fabio Minduim
Outro estudo realizado com atletas profissionais catarinenses em 2006, mostra a inadequação da forma da preparação física. Os resultados indicaram que grande parte dos atletas não realizava avaliações periodicamente. Apesar de (80%) possuírem um treinador, foi escasso o acompanhamento de um profissional habilitado durante as sessões de treino e/ou competições. Muitos atletas não seguiam orientação nutricional (70%), no entanto, 40% utilizam carboidratos e 30% aminoácidos. Assim, percebeu-se que são insuficientes as informações específicas sobre as características do treinamento desportivo de surfistas profissionais, os resultados obtidos no presente estudo, indicam que grande parte dos surfistas profissionais catarinenses, treina de forma inadequada, sendo incompatível com o treinamento desportivo contemporâneo.
Com relação às lesões, outro estudo feito em uma etapa do Campeonato Brasileiro de Surfe Profissional, São Sebastião-SP, em 2005. A análise dos resultados encontrados permitiu concluir que o índice de lesões dos atletas profissionais brasileiros entrevistados foi baixo e que a natureza das lesões foi essencialmente traumática, sobretudo nos membros inferiores e na cabeça, a prancha aparecendo como principal agente etiológico.
Tais informações são úteis para melhor conhecimento desse esporte, tanto por praticantes quanto por profissionais da área da saúde, que podem auxiliar na elaboração de propostas de treinamento e trabalhos de prevenção e tratamento, este visando reduzir os riscos de lesão, aquele proporcionando uma melhora no desempenho do surfe.
A carência de referências bibliográficas sobre o surf na literatura representa um desafio aos profissionais da área, pois pouco se sabe sobre as atividades que os atletas realizam para melhorar seu desempenho. Por isso, pesquisadores, o mar e os seus atletas também podem ser o nosso desafio para novas leituras e descobertas científicas. Vamos aproveitar a dica e publicar!
Marcos Sifu mandando mais um de seus aéreos. Foto: Fabio Minduim
Atualmente, o surfe tem um expressivo número de praticantes no Brasil, com aproximadamente 2,7 milhões de surfistas. A International Surf Association estima o impressionante número de 17 milhões de praticantes distribuídos por mais de 70 países e sua indústria move cerca de 2,5 milhões de dólares anuais. O Brasil, os Estados Unidos e a Austrália são as três maiores potências do surfe mundial. Embora seja um esporte de expressão, a literatura científica sobre essa modalidade é escassa, tendo apenas poucos autores e trabalhos nessa área. Vou citar alguns deles nesse post.
Acredita-se na crescente expansão do surf como um esporte com maior amparo científico, em que regras e condutas são previamente discutidas e padronizadas com o embasamento necessário, para a otimização do desempenho dos praticantes. No entanto, no cotidiano de grande parte dos atletas, especula-se que poucos surfistas utilizam-se de meios, métodos e técnicas, bem como não apresentam o treinamento desportivo bem definido.
Marcelo Trekinho encarando uma bomba no pontão do leblon. Foto: Fabio Minduim
Na imagem popular, o surfista aparece como um esportista de boa aparência física e de hábitos saudáveis de vida. Sabe-se que estes necessitam de um bom condicionamento físico para suportar os desafios do mar, visto que, em cada sessão de surf permanecem, em média, 3 horas dentro d'água. (LUZ et al, 2003). Entretanto quando observamos a região da coluna vertebral destes praticantes, notamos que um grande número apresenta desvios acentuados na região da coluna lombar e estes referem queixas de dores como de intensidade moderada e grave (LUZ et al, 2003).
Pensando na prática esportiva enquanto atividade física e a mesma sendo um dos fatores mais importantes para qualidade de vida, deve ser praticada buscando saúde e satisfação pessoal do praticante.
A falta de preparação adequada pode fazer com que um ou mais variáveis relacionados com o desempenho, como a produção de energia aeróbia e anaeróbia, força muscular, coordenação, economia de movimentos e fatores motivacionais, não sejam maximizados e consequentemente trazer prejuízo ao desempenho do surfista.
LUZ, et al 2003 investigando atletas de nível internacional menciona a importância de programas de treinamento físico específico e paralelo ao surf. Seu estudo apresenta dados como: os surfistas praticam o esporte praticamente os 7 dias da semana durante 3 horas diárias, sendo que a maioria destes realiza trabalho de alongamento com tempo inferior a 10 minutos diariamente e menos de 50% destes realiza um trabalho extra de fortalecimento muscular apenas 2 vezes na semana.
A força muscular é um requerimento básico para o surfe. O fortalecimento da musculatura para remada e manobras, além de melhorar a qualidade das manobras no surfe, é fundamental para prevenção de lesões.
A Flexibilidade se refere à amplitude de movimento de uma articulação. O desenvolvimento da flexibilidade permite aumentar a amplitude de movimento das articulações, melhorando o desempenho esportivo e diminuindo o risco de lesões musculares.
Em uma pesquisa feita no circuito mundial de surf, o Ombongo Pro Surfing WQS no ano 2002, traçou um perfil dos atletas participantes, em que apresentaram média de idade de 24 anos, massa corporal com média de 69 kg, estatura de 1,70 e com média de 11 pranchas para uso. Todos os atletas surfavam diariamente, a maioria destes faziam alongamentos regularmente, e menos da metade dos atletas realizavam outras práticas desportivas como complemento poucos dias na semana.
Não é a toa que Phil Rajzman é um dos melhores Longboarders do mundo. Fabio Minduim
Outro estudo realizado com atletas profissionais catarinenses em 2006, mostra a inadequação da forma da preparação física. Os resultados indicaram que grande parte dos atletas não realizava avaliações periodicamente. Apesar de (80%) possuírem um treinador, foi escasso o acompanhamento de um profissional habilitado durante as sessões de treino e/ou competições. Muitos atletas não seguiam orientação nutricional (70%), no entanto, 40% utilizam carboidratos e 30% aminoácidos. Assim, percebeu-se que são insuficientes as informações específicas sobre as características do treinamento desportivo de surfistas profissionais, os resultados obtidos no presente estudo, indicam que grande parte dos surfistas profissionais catarinenses, treina de forma inadequada, sendo incompatível com o treinamento desportivo contemporâneo.
Com relação às lesões, outro estudo feito em uma etapa do Campeonato Brasileiro de Surfe Profissional, São Sebastião-SP, em 2005. A análise dos resultados encontrados permitiu concluir que o índice de lesões dos atletas profissionais brasileiros entrevistados foi baixo e que a natureza das lesões foi essencialmente traumática, sobretudo nos membros inferiores e na cabeça, a prancha aparecendo como principal agente etiológico.
Tais informações são úteis para melhor conhecimento desse esporte, tanto por praticantes quanto por profissionais da área da saúde, que podem auxiliar na elaboração de propostas de treinamento e trabalhos de prevenção e tratamento, este visando reduzir os riscos de lesão, aquele proporcionando uma melhora no desempenho do surfe.
A carência de referências bibliográficas sobre o surf na literatura representa um desafio aos profissionais da área, pois pouco se sabe sobre as atividades que os atletas realizam para melhorar seu desempenho. Por isso, pesquisadores, o mar e os seus atletas também podem ser o nosso desafio para novas leituras e descobertas científicas. Vamos aproveitar a dica e publicar!